<font color=0094E0>Datas para evocar o francês corso<br>
«PCP recordou “percursos coincidentes” de Giacometti», assim titulava O Setubalense, de 17 de Junho de 1996, a notícia sobre a sessão que a Comissão Concelhia de Setúbal do Partido levara a cabo uma semana antes sobre «o homem que, desde os finais da década de 50, percorrera Portugal captando a voz do povo.» Iniciativa que tivera lugar «no espaço do PCP onde não poucas vezes se via a sua figura», «o Centro de Trabalho onde hoje se ergue o Edifício Arrábida» e que ali mesmo levara, curiosamente, os dois docentes do ISCTE que esta noite, com José Casanova, regressam de novo à capital sadina sob a égide, permita-se o termo, deste número do Avante!: Luísa Tiago Oliveira e Jorge Freitas Branco, autores da obra “Ao Encontro do Povo”.
Francisco Lobo, o Presidente da Câmara que acompanhou denodadamente e como ninguém o processo de concentração do acervo de instrumentos de trabalho naquela cidade por opção política do comunista que também ele, Giacometti, era, é ainda naquele trissemanário que à data de 1 de Novembro de 1995 descreve as «concepções diametralmente opostas» da Comissão Administrativa (logo, nos primeiros tempos da Revolução) e da Direcção Geral do Património, as quais, numa tarde calorenta típica da borda rio, impelem o nosso «adoptivo» para um certo percurso: «Desesperado com alguma lentidão na resolução do problema de encontrar o melhor local para o depósito transitório das peças recolhidas pelas brigadas de jovens estudantes em muitas regiões do País, sendo que o mais provisório dos provisórios era na altura (final da década de setenta, início da de oitenta?) um dos Pavilhões Municipais do Largo José Afonso, Giacometti foi apossado por um acto de desespero e, junto ao portão de uma destas estruturas, quis entregar em mão as chaves ao camarada que o acompanhava, exclamando secamente: “isto tudo fica para o Partido!”» (Semmais jornal de 10 de Janeiro de 2009).
«Que não», assim terminava o texto: «na serenidade típica de Giacometti irrompera apenas a emotividade do francês corso que mais amou Portugal, para retomar uma feliz expressão de um jornalista. De um homem do 25 de Abril, afinal, que num ápice da sua vida de intelectual revolucionário sabia bem de que património estava a falar».
O «Museu do Trabalho», instalado na antiga fábrica de conservas de peixe Perienes, sobranceiro às Fontainhas, é assim que se dá a conhecer a quem o olha a partir de toda a amplitude do Sado, tem o seu nome. A sua inauguração, a 18 de Maio de 1995, foi manchada por uma das mais abjectas manobras eleitoralistas, quando a marcação da mesma para umas vinte horas obedeceu tão-somente ao desígnio de propiciar ao candidato a deputado António Guterres, do PS, deslocando-se em caravana de campanha do Sul para Lisboa, a sua presença. Pelo que os eleitos do PCP na Câmara Municipal e outros órgãos autárquicos, que tinham dado a saber (Correio de Setúbal, designadamente, pela manhã) que estariam no local para o início do acto mas que dele se ausentariam de imediato se o oportunismo vingasse, retiraram com dignidade.
Não esquecemos que o dia 8 de Janeiro ficou assinalado por mais uma acção popular em Lisboa de condenação da ofensiva israelita em Gaza, a partir da iniciativa do Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC). No Expresso de sábado anterior, Randa Nabulsi, Delegada-Geral da Palestina em Portugal, afirmava que «nenhum palestiniano irá aceitar regressar a Gaza em cima de um tanque israelita», um pouco a re-situar aquele deslumbramento, no sentido épico da palavra, provocado pela quantidade de crianças e jovens da(s) intifada(s) que perecem na linha da frente: ali, de facto, voltamos a dizer, não pode ser de outra maneira, quando se confirma a asserção de Marx e Engels segundo a qual «são as massas que fazem a história».
No seu octogésimo aniversário, Michel Giacometti relembraria o serviço cívico estudantil de 1974 e 1975 e a sua complementaridade, em parte, com as Campanhas de Dinamização Cultural do MFA. O homem dos jovens de mãos cheias vindos do campo estaria do lado das pedras levantadas do chão.
Francisco Lobo, o Presidente da Câmara que acompanhou denodadamente e como ninguém o processo de concentração do acervo de instrumentos de trabalho naquela cidade por opção política do comunista que também ele, Giacometti, era, é ainda naquele trissemanário que à data de 1 de Novembro de 1995 descreve as «concepções diametralmente opostas» da Comissão Administrativa (logo, nos primeiros tempos da Revolução) e da Direcção Geral do Património, as quais, numa tarde calorenta típica da borda rio, impelem o nosso «adoptivo» para um certo percurso: «Desesperado com alguma lentidão na resolução do problema de encontrar o melhor local para o depósito transitório das peças recolhidas pelas brigadas de jovens estudantes em muitas regiões do País, sendo que o mais provisório dos provisórios era na altura (final da década de setenta, início da de oitenta?) um dos Pavilhões Municipais do Largo José Afonso, Giacometti foi apossado por um acto de desespero e, junto ao portão de uma destas estruturas, quis entregar em mão as chaves ao camarada que o acompanhava, exclamando secamente: “isto tudo fica para o Partido!”» (Semmais jornal de 10 de Janeiro de 2009).
«Que não», assim terminava o texto: «na serenidade típica de Giacometti irrompera apenas a emotividade do francês corso que mais amou Portugal, para retomar uma feliz expressão de um jornalista. De um homem do 25 de Abril, afinal, que num ápice da sua vida de intelectual revolucionário sabia bem de que património estava a falar».
O «Museu do Trabalho», instalado na antiga fábrica de conservas de peixe Perienes, sobranceiro às Fontainhas, é assim que se dá a conhecer a quem o olha a partir de toda a amplitude do Sado, tem o seu nome. A sua inauguração, a 18 de Maio de 1995, foi manchada por uma das mais abjectas manobras eleitoralistas, quando a marcação da mesma para umas vinte horas obedeceu tão-somente ao desígnio de propiciar ao candidato a deputado António Guterres, do PS, deslocando-se em caravana de campanha do Sul para Lisboa, a sua presença. Pelo que os eleitos do PCP na Câmara Municipal e outros órgãos autárquicos, que tinham dado a saber (Correio de Setúbal, designadamente, pela manhã) que estariam no local para o início do acto mas que dele se ausentariam de imediato se o oportunismo vingasse, retiraram com dignidade.
Não esquecemos que o dia 8 de Janeiro ficou assinalado por mais uma acção popular em Lisboa de condenação da ofensiva israelita em Gaza, a partir da iniciativa do Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC). No Expresso de sábado anterior, Randa Nabulsi, Delegada-Geral da Palestina em Portugal, afirmava que «nenhum palestiniano irá aceitar regressar a Gaza em cima de um tanque israelita», um pouco a re-situar aquele deslumbramento, no sentido épico da palavra, provocado pela quantidade de crianças e jovens da(s) intifada(s) que perecem na linha da frente: ali, de facto, voltamos a dizer, não pode ser de outra maneira, quando se confirma a asserção de Marx e Engels segundo a qual «são as massas que fazem a história».
No seu octogésimo aniversário, Michel Giacometti relembraria o serviço cívico estudantil de 1974 e 1975 e a sua complementaridade, em parte, com as Campanhas de Dinamização Cultural do MFA. O homem dos jovens de mãos cheias vindos do campo estaria do lado das pedras levantadas do chão.